sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A síndorme do príncipe encantado


Você já ouviu falar da síndrome do príncipe encantado? Não? Talvez não a conheça por esse nome, mas, certamente, conhece ou conheceu alguém que já passou por isso.

A primeira coisa a se definir são os sintomas dessa enfermidade. Primeiro: é uma doença exclusivamente feminina. Segundo: acomete suas vítimas por volta dos 13 ou 14 anos, mas, não se espante se conhecer alguma mulher mais velha que desenvolva tal patologia, o vírus da idiotice não tem idade para atacar. Continuando, por terceiro: a vítima desenvolve uma cegueira contumaz e ininterrupta para o parceiro. Não adianta colírios, conselhos ou o que for. A mulher com essa síndrome só tem olhos para um cara, e olhos generosos, mesmo que o tal não valha um vintém.

Conheço duas pessoas que portam esse vírus em seus corações. E desenvolveram o grau mais patológico e de maior virulência da enfermidade. Seus pretensos príncipes encantados são sujeitos da pior espécie. Como diria o escritor gaúcho Fabrício Carpinejar, “um CRÁPULA, que define o mau-caratismo indelével, ou o CAFAJESTE, alguém que não presta nem para ser canalha, de índole egoísta e aproveitadora”.

As mulheres submissas a esses herdeiros monárquicos desenvolvem um grau de idiotice e tolice nunca antes visto pela ciência. Apesar de saberem que o cara tem uma mulher em cada porto ou cidade, mesmo assim acreditam piamente que elas é que são o amor da vida deles. Eles só não sabem disso ainda. E que quando casarem com elas mudarão como um milagre cristão, tornando vinho o que era água. O que desconhecem é que é mais fácil a água virar vinagre, daqueles bem azedos, intragáveis.

Mas há algo pior. Algumas fêmeas humanas são verdadeiramente humilhadas, achincalhadas, espezinhadas, visto que a maioria dos nobres deixa bem claro não querer nada sério com elas. Apenas passatempo para satisfação pessoal e sexual. Se a mulher adoentada aceita essa condição é sinal que a cegueira já se instalou. Algumas ainda desenvolvem certo grau de surdez (só ouvem o que lhes interessa, ou seja, elogios do sapo transformado) e, além disso, outro sintoma recorrente é o da desmemorização. A vítima só lembra-se de bons momentos ao lado de seu amado. Não se recorda das humilhações passadas, das esperas infindáveis em motéis (se o príncipe possui princesa, e, na maioria das vezes possui) que muitas vezes acabavam em solidão. Faz questão de esquecer que é a outra e tem um pensamento obsessivo-compulsivo de que se tornará a Sra. PRINCESA, destronando quem realmente tem o sangue real.

Como todo vírus que se instala, ele chega sorrateiro, normalmente as vítimas não se apercebem de que serão infectadas. Um festival de elogios, sorrisos, cantadas românticas, presentes, flores, tudo para que a doença se instale vagarosa e silenciosamente no coração da enferma. Não há medidas preventivas, muito menos vacina. Após o contágio a única esperança de salvação é que a vítima quebre a cara o quanto antes, para que possa olhar para o lado e ver quem realmente a ama e lhe trata como deve. O tratamento é doloroso e penoso para as adoentadas. Muitas vezes levam anos para se curarem. Umas morrem e vão para o túmulo, infectadas, sem terem tido a chance de se livrar dessa maldição.

Não há na literatura médico-romântica um só caso de conversão do sapo cafajeste em príncipe encantado. Mulheres cientistas estão à procura da fórmula que consiga transformar sapos em príncipes.

Além disso, nunca soube-se de um caso inverso, ou seja, um macho com a síndrome da princesa encantada. Os homens parecem ter defesas naturais contra o vírus. Talvez porque o romantismo há muito abandonou os corações masculinos. Ou talvez nunca tenha verdadeiramente se instalado. De certo e positivo, somente que não são todos os homens alvos dessas mulheres desmazeladas, alguns exemplares masculinos da raça humana ainda valorizam e sabem amar uma mulher. Mas, de que adianta? Pois ao que parece tais homens só se apaixonam por mulheres doentes.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ótima análise. Palavras de fácil entendimento e português muito bem utilizado.

Sinceramente adorei.

Sophie disse...

um ótimo texo, só a cor do texto q embaralha um pouco as letras...