domingo, 12 de abril de 2009

Casa cheia


Sempre quis ter minha casa cheia. Apesar de, ainda, não ter minha casa, tenho um lugar para morar. Hoje é domingo. Dia de churrasco. Dia de aeroporto. Partida. Despedida. Até logo. Cappuccino na mesa do aeroporto. Saudades. Solidão. Novamente. Família reunida? Quase. Falta alguém. A dona da casa não estava. Não fisicamente, pelo menos.

Trinta e três anos depois quase consigo a casa cheia, como o coração, que começa a ser mobiliado pela família, amigos e amor. Não desisto. Chego a sonhar com isso. Casa cheia. Coração ocupado. Apertado de quereres infinitos. Encher a casa é mais fácil. Pra encher o coração foi preciso trocar os móveis. Jogar fora a mobília usada. Comprar tudo novo. Fazer crediário nos sentimentos. Parcelamento. Sem juros.

Ainda não consegui dispor os móveis. Não tenho paciência. Coisa da mulher isso. Mudança. Mobília. Morada. Matrimônio. Mesa. Logo, logo, membro novo na família. Correrria. Gritaria. Risadas. Conversas. Comida. Carne. Cerveja. Casa cheia. Gosto do tumulto das vozes. Das conversas desconexas. Das interferências. Dos ruídos de comunicação. Sinfonia aos meus ouvidos. Música da felicidade. Orquestra familiar a ensaiar concertos.

Irmã, pais, vizinha, você. Você? Ainda, não. Daqui a pouco. Espero. Casa cheia demanda paciência. Tempo. Preparação. Estou aprendendo a paciência. Machuca um pouco. Mas vai calejando. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. Acho que não. O melhor da festa é o depois. Saber que nova festa é possível. Novo agendamento. Que os convidados retornem. O voltar da festa com o gosto do retorno da próxima vez.

Só tenho certeza de uma coisa. Pra casa ficar cheia, ainda falta você aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Reunião do G-20 discute crise (de relacionamento)



Essa semana está ocorrendo a reunião das 20 maiores economias (quebradas) do planeta. O Brasil está lá. O Obama, inclusive, parodiou o Romário e disse que o LULA É O CARA! (algo como: Look this guy man! This is the fucked man!). Estão reunidos para discutir o futuro e as ações para salvar o planeta da maior crise econômica desde a grande depressão nos anos 1930.

Pensei aqui comigo. Se os caras conseguem decidir algo tão importante, como salvar o planeta, poderiam discutir as crises de relacionamento. Sério! As cabeças mais inteligentes do planeta podem e devem criar regras para as discussões de relacionamento. Com certeza, se o fizessem, muito provavelmente o mundo seria melhor. Os Celso Pitta da vida não seriam denunciados. Talvez não tivéssemos tantos escândalos de corrupção. Com casais de poderosos felizes, os especuladores não seriam tão gananciosos, pois estariam mais preocupados em amar suas esposas do que ganhar dinheiro nas costas dos outros. Banqueiros e suas respectivas primeiras-damas ficariam mais tempo juntos. Ou seja, o banqueiro tiraria os olhos grandes do seu negócio por mais tempo, portanto a sangria desatada por lucros seria menor.

Não sei se estou me fazendo entender. Mais casais amando, menos ganância no mundo. Simples assim. Os milionários acionistas não se preocupariam tanto em enriquecer, acumular fortunas. Pelo contrário. Gastariam mais e mais, comprando jóias e presentes para suas mulheres, o que impulsionaria o crédito, o comércio e a geração de empregos.

Mas para todo esse mecanismo dar certo, será preciso regras claras de contingência em épocas de crise (de relacionamento). Dou algumas dicas:

Regra nº 1: é proibido discutir, sequer brigar, a respeito de crises de déficit de atenção. Cobranças nessa área aumentam, em muito, a inadimplência do devedor (geralmente o homem) em relação a sua credora. Caso venha a se configurar cobrança abusiva, o devedor ficará desobrigado de ir passar as festas de final de ano na casa da sogra. Sanções mais graves podem ser estudadas caso haja reincidência de cobrança.

Regra nº2: para o bom convívio entre as economias internas, durante um dia na semana, pré-estabelecido entre as partes, o casal sai cada um para um lado. Estabelecer contatos comerciais com novas fronteiras é imprescindível para evitar-se a crise. Ressalta-se que os contatos não devem extrapolar os acordos proibitivos internacionais extraconjugais. Em tais casos, recomenda-se, após julgamento pela corte internacional amorosa, aplicar-se a lei de Talião. Contrato quebrado pelo lado masculino, um mês de solitária, sem visitas femininas. Em caso da quebra ocorrer pelo lado feminino, um mês sem cartão de crédito no shopping.

Regra nº3: são permitidos alguns devaneios consumistas, por ambos os acordantes, desde que não se configure em uma nova bolha especulativa (vide bolha da internet, bolha imobiliária). Portanto, ao homem será permitido, como estímulo ao comércio, comprar algum eletroeletrônico fantástico, de última geração, fundamental para a existência de ambos, desde que considerados a cota de uma unidade por trimestre de ano civil. Já, à mulher, é permitida a aquisição de acessórios, sapatos, roupas, perfumes, em quantidade igual ou menor, em que o valor se equivalha ao consumo masculino. Aqui cabe um adendo: a importação do produto masculino para o interior do território doméstico deve levar em conta a utilidade individual do produto. Assim sendo, TV de LCD de última geração, se for compartilhada pelo núcleo familiar não se enquadra em utilitário individual, visto o homem não poder usufruir de sapatos, bolsas, perfumes femininos.

Regra nº4: A mulher tem todo o direito de especular o mercado do sexo. Se não estiver a fim de vender suas ações (ou praticá-las no mercado masculino), pode se utilizar de mecanismos regulatórios com a finalidade de evitar ataques masculinos a seu mercado de títulos. Em contrapartida o homem, para equivalência de forças econômicas, a cada retração de mercado acionário da mulher acumula créditos de pay-per-view ou de rodadas de cervejas com os amigos no boteco da esquina.

Dei algumas idéias que podem ser discutidas na reunião do G-20. Não quero parecer pretensioso ou coisa parecida. Tenho a certeza que os líderes mundiais têm maior capacidade de elaboração de regras a fim de evitarmos futuras crises.

Pode-se inclusive alterar o regime econômico mundial. Passaríamos do capitalismo, com todos os seus problemas, para o regime do romantismo. É necessário reforçar, que reuniões contínuas devem ser realizadas pelas potências econômicas com o objetivo de discutir as ações tomadas e suas conseqüências. Se houver necessidade de correção de rumo, elas serão tomadas. Em vez de rodada de DOHA, poderíamos conceber a rodada de DR (discussão de relacionamento).

Acredito que possa ter contribuído para a melhora da crise. Sugestões, amigo leitor, são bem-vindas. Podem direcioná-las a mim ou às equipes econômicas de Obama ou Lula. Afinal, um é o presidente mais poderoso do planeta. O outro, bem, o outro, é, simplesmente, O CARA, ok man?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1º de abril


Hoje é o dia da mentira. Do jeito que a coisa anda o dia de hoje está mais para marcar uma data trivial durante todo ano - como o dia internacional da mulher - do que para brincadeiras e pegadinhas.

No senado federal, dia 1º de abril virou brincadeira de criança. Todo dia, lá, alguém aparece com uma surpresa. Não gosto de falar de política, religião e futebol. Gostos, cores e amores, cada um tem o seu. Mas tenho minhas opiniões. Amanhã começa a reunião do G-20, em Londres. O encontro das 20 nações mais importantes do mundo (quem criou esse ranking?). Irão discutir soluções para a crise econômica global. Mas espera aí! Por que cargas d’água os governos têm que resolver problemas capitalistas? Mais uma mentira essa história do capitalismo. Quando tudo está bom os ‘mercados’ acusam os governos de se intrometerem e frearem o desenvolvimento econômico. Governo tem que governar, e deixar o mercado se autoregular. Balela. No primeiro sinal de crise as empresas recorrem a quem? Exatamente meu amigo. Aos governos. Bilhões, trilhões, de dólares do meu e do seu dinheiro são dados, isso mesmo, não é empréstimo, é doação, às empresas para evitar o colapso econômico. Aí o governo serve? Mas, lembremos, hoje pode.

Continuando no nosso colóquio sobre a falsidade geral, a seleção brasileira joga hoje. Aqui em Porto Alegre. Tudo é festa. Crise. Aonde? Espera-se um massacre brasileiro em cima dos pobres peruanos. Para Dunga e Cia será a redenção, a afirmação de que a seleção brasileira está no rumo certo. Mentira. Nunca vi um time tão sem esquema de jogo como esse. O Brasil continua dependendo das suas individualidades (leia-se Kaká) para obter a tão sonhada classificação para a copa do mundo. Mas hoje pode ganhar e golear. É 1º de abril. Não esqueçamos. Deixemos a seleção aplicar uma mentirinha. Hoje pode.

Falando em Peru, está acontecendo o julgamento do réu e advogado de defesa, o ex-presidente do Peru, Sr. Alberto Fujimori, acusado de crimes e matanças por aí afora. Fujimori é acusado de tortura e mortes na sua política antiterrorista. Ele alega inocência. “A história me absolverá”, diz. Mas hoje pode.

Pelo jeito a única coisa que não está para 1º de abril é o planeta. Previsão de frio outonal e seco (levem agasalho) para o jogo de logo mais. Estava na hora. Já estamos no outono desde 20 de março. Parecia mais verão. Com direito a praia e tudo. Pelo menos o clima não está para mentirinhas e brincadeiras. Resolveu colocar um pouco de verdade no 1º de abril. Cansou de nos ludibriar com frio intenso em dezembro e calor torrencial em março. Mas hoje pode. Pode até falar a verdade. Hoje é 1º de abril.