domingo, 11 de janeiro de 2009

Escrever, escrever, escrever


Propus uma meta a mim mesmo. Escrever um texto por dia. Preciso praticar, afinal, jornalista que não escreve, não é jornalista. O blog é meu editor. Ele é quem me diz se cumpri a pauta do dia ou não. Basta olhar na última data de postagem. Tem que ser a data de hoje.

Pois bem, passei o dia inteiro em casa, pensando no que escrever. E, droga, não me vinha nada à cabeça. Sempre achei escrever uma tarefa fácil e prazerosa, mas que diabos! Hoje não sei sobre o que escrever. Pensei em escrever sobre a praça na frente da minha casa. Quem sabe a história de um crime na praça. Amassei o papel virtual do meu notebook e mandei-o pra lixeira. Ah! O clube ao lado da minha casa. Certamente dá uma boa história. Tantos casamentos e festas de quinze anos que não me deixaram dormir aos sábados à noite por causa do som alto da festança. Ficava e fico imaginando a festa, os convidados, a valsa, os noivos, a debutante. Monto a festa na minha cabeça. Tá aí uma boa história. Merda! Não gostei. Não to inspirado.

Quem sabe a minha ida ao supermercado? Uma das poucas atividades sociais a que tenho me dedicado, visto morar sozinho, estar solteiro, recém chegado na cidade, ainda sem amigos pras festas.
Chego a me arrumar como se estivesse indo para a noite. Afinal o super é um bom lugar pra paquerar. Você chega ao lado daquela loira escultural (prefiro o tipo mignon), cabelo comprido até a cintura, cheiro de xampu. Ela olha as marcas de sabão em pó e você sutilmente dá a sua opinião sobre a marca. Fala que o tal sabão é bom para roupas claras, mas não limpa as escuras. Sei lá. Inventa um papo pra puxar conversa. E aí vai.

Péssimo assunto. Pelo menos hoje me parece. É, hoje tá difícil escrever. Cruzes! Estou até abusando da ortografia informal. Melhor dizer. Hoje ESTÁ difícil escrever. Viu? Difícil. Escrever é colocar a boca e a língua na ponta da caneta. Ou nos dedos no teclado. Se os dedos falassem como a boca, seria muito mais fácil escrever. Afinal seria o mesmo membro o responsável pelo poder da comunicação. Já pensou. Todos falando e escrevendo pelas mãos. Que inveja dos surdos e mudos.

O jornalista Ricardo Noblat disse que para ser um bom jornalista treino é fundamental. Quanto mais você escrever e reescrever um texto um pouco menos pior ele vai se tornando. Até que um dia possa ser que fique bom. Ele diz que até hoje detesta seus textos e que se pudesse e tivesse mais tempo reescrevê-los-ia. O que é que sobra para nós pobres jornalistas (ou futuros) mortais se para o Noblat o texto dele ainda é ruim? Bom, mais um motivo para eu treinar muito.

Ei! Olha para cima. O que você vê? Não é um texto? Não. É uma tentativa. Certamente depois de postá-lo o lerei novamente e pensarei: que merda de texto! Tenho que treinar mais. Escrever, escrever, escrever. Tal é a lei.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A liquidação

O noticiário de hoje apresentou, em todos os telejornais, sem exceção, as grandes liquidações. Aqui, no Brasil, e também no Oriente Médio.

Enquanto milhares de pessoas dormiam ao relento em frente às grandes lojas de departamentos do país, para serem os primeiros a aproveitarem a queima de estoque, outros milhares tentavam dormir ao som dos fogos que varavam a madrugada na noite árabe-israelense. Aliás, provavelmente, estavam rezando pra que a liquidação cessasse. Por um único motivo. Em pleno século XXI, o ser humano ainda se compraz em liquidar. Liquidar futilidades, estimulados por uma senda consumista que assola o ocidente e liquidar...pasmem...vidas humanas. Aproveitem, só hoje, dez crianças palestinas mortas. Liquidação, com o perdão do trocadilho, bombástica.

Enquanto isso, os brasileiros, assim como os demais países ocidentais consumistas estavam mais preocupados em não perder a liquidação de eletrodomésticos, que REALMENTE NECESSITAM. Como ficar sem minha mega-hiper-super TV de LCD de 200 polegadas, só por mil reais? Eu não posso perder essa OFERTA. Além de tudo consumidor é burro. Por quê? Porque se as pessoas parassem um minutinho pra pensar, veriam que:

Primeiro: nenhuma loja vende um produto por um preço menor do que comprou.
Segundo: nenhuma loja abre suas portas para vender e ter prejuízo.
Terceiro: nenhuma loja deixa de embutir os impostos para o governo no produto que você compra.
Quarto: se uma loja anuncia até 70% de desconto, já imaginou qual é o lucro dela fora da liquidação?
Mas ninguém para pra pensar nisso. Era só deixar de comprar fora dos períodos de liquidação. Aí as lojas se obrigariam a baixar os preços. Concorda? Muito difícil isso acontecer. A humanidade busca seus valores no consumo. Preenche suas frustrações na obsessão pelo ter. Comprar virou terapia. Melhor que psicólogo.

Já na liquidação do lado de lá, o ter também conduz os atos da grande empresa israelense. Ter o poder sobre o mais fraco. Ter a soberania do território. Ter a terra só para si. Ter a água, só para si. Nessa liquidação de vidas humanas, israelenses chegaram de madrugada para arrematar os territórios. Os palestinos dormiram no ponto. Estão no fim da fila. Nem por isso deixam de brigar para adquirirem o que lhes é de direito (segundo os próprios).

Na TV vi um cara que se abraçou em duas TV’s de LCD. O repórter ao perguntar quanto custavam os produtos recebeu a seguinte resposta do cidadão:

- Sei lá. O que importa é que essas duas são minhas.
- E como você vai pagar?
- Isso a gente vê depois.

Outra moça. Comprou, por ex-tre-ma necessidade, quatro, eu disse quatro, ferros de passar roupa. No mínimo irá doar três pro bingo da igreja. Óbvio. Como não pensei nisso antes?

Ao ver as ofertas pela tela da TV, me pergunto. Aonde a gente vai parar? Qual o valor das vidas humanas que se perdem diariamente em conflitos que já perderam o sentido há muito? Como é possível centenas de pessoas se aglomerarem e desembestarem como bois no brete para irem às compras? Tem algo muito errado nisso.

As vidas humanas perderam o valor. Desvalorizaram. Não é de se estranhar, portanto, que estejam em liquidação.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Flerte


O flerte é o suprassumo (já na nova ortografia – adeus hífen) de um relacionamento. Já notou a excitação dela e dele ao se verem, ao fixarem os olhares, ao encompridarem um olhar e um sorriso que, se receberem retorno faz disparar os coraçõezinhos enamorados. O flerte não tem idade para acontecer. Até mesmo na melhor idade ele dá seus ares. Aliás, eles, os integrantes da melhor idade são os maiores e melhores flertadores que conheço. Acho que tanto homens como mulheres deveriam fazer um curso de flerte com esse pessoal da terceira idade.

O olhar e o sorriso (o flerte do rosto)

Bom, por que cargas d’água eu to falando nisso? Óbvio, porque não percebo mais as pessoas flertando. Não como era antes. Quer dizer, eu posso ser um péssimo observador, mas o romantismo do flerte, esse faz tempo que não vejo. Já falei que cabe às moçoilas de hoje (sempre foi assim) escolherem seus pares, então é delas o princípio do flerte ou do retorno do mesmo ao se verem flechadas por um olhar mais espichado ou por um sorriso mais contundente. Na minha época (cruzes, como isso soou velho), o flerte tava com tudo. Era tão bom, e ainda é, olhar alguém com aquele rabo de olho, tomar a coragem nababesca de fixar o olhar na vít...digo no ser amado, mas melhor ainda é receber o retorno. Quando o outro encontra seu olhar e corresponde. Nossa isso é muito bom, é o auge da conquista. O corpo todo treme, a gente fica meio sem saber o que fazer, é um misto de calor, frio, alegria, tontura e outras cositas mais.

O corpo fala (o flerte do corpo)

Flertar é o engatinhar da paquera, que é o próximo passo. O cidadão que flerta e é correspondido fica na obrigação de conversar com a guria, e daí, quem sabe, convidá-la para um passeio ou um jantar. E quando ele ouve um sim, bom aí tem a certeza verbal do que os olhos e os dentes já haviam falado. Sim, o corpo fala, e a gente, muitas vezes, não percebe isso nos outros. Se prestássemos mais atenção no que o nosso e no que o outro corpo dizem talvez não gastássemos tanta saliva. Guardaríamo-na para os fortuitos ósculos com o ser adorado.

Andar de bicicleta

Acho que esqueci como se flerta. Alguém me ensina? Pelo menos o que acredito ser um flerte não tem produzido os efeitos desejados. Também posso estar direcionando meus olhares às meninas erradas. Deve ser isso. Ou estou enferrujado. Faz tempo que não precisava fazer isso. Mas é como andar de bicicleta. Não se esquece, e daqui a pouco se tiram as rodinhas e consegue-se equilibrar novamente.

A cantada (o pós-flerte)

Depois do flerte vem a paquera. E ela necessita de uma ferramenta interessante para estabelecer-se. A cantada. Não falo daquelas cantadas prontas, de caminhoneiro, que a gente ouve por aí, mas sim da cantada sutil, que afaga o ego, conquista território e faz com que a pres...ops a pessoa se interesse por você. Cantada é tarefa masculina. Mulheres também a utilizam, aliás, com primazia. Uma cantada feminina bem dada vale por umas mil masculinas. O repertório deve ser grande, mas a que mais funciona é a espontânea, aquela em que o sujeito pega um gancho e larga. Cantada boa tem bom humor. Requisito básico para as mulheres se interessarem por nós. E não vale cantada repetida. Homem tem mania de repetir cantada. Se deu certo com uma vai dar certo com a outra, certo? Errado. Pior ainda se a mulher descobrir que você já utilizou a cantada antes. Meu amigo, mulher gosta de ex-clu-si-vi-da-de. Entendeu? Pior que já vi mulher repetindo cantada. Aí é pakabá.

O resultado do flerte

Cantada aceita, risinhos e enrubescimento dos apaixonados vem o momento mais inebriante da conquista. O resultado do flerte. A aprovação, no vestibular afetivo, do olhar e do sorriso. Ele, senhoras e senhores, rufem os tambores, o BEIJO. Não qualquer beijo, o primeiro beijo, o que arrepia o corpo, dá uma pontada no peito, dispara o coração. O beijo na boca que fora dado há muito, pelos olhos e pelo sorriso. O beijo é o filho do flerte.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A síndorme do príncipe encantado


Você já ouviu falar da síndrome do príncipe encantado? Não? Talvez não a conheça por esse nome, mas, certamente, conhece ou conheceu alguém que já passou por isso.

A primeira coisa a se definir são os sintomas dessa enfermidade. Primeiro: é uma doença exclusivamente feminina. Segundo: acomete suas vítimas por volta dos 13 ou 14 anos, mas, não se espante se conhecer alguma mulher mais velha que desenvolva tal patologia, o vírus da idiotice não tem idade para atacar. Continuando, por terceiro: a vítima desenvolve uma cegueira contumaz e ininterrupta para o parceiro. Não adianta colírios, conselhos ou o que for. A mulher com essa síndrome só tem olhos para um cara, e olhos generosos, mesmo que o tal não valha um vintém.

Conheço duas pessoas que portam esse vírus em seus corações. E desenvolveram o grau mais patológico e de maior virulência da enfermidade. Seus pretensos príncipes encantados são sujeitos da pior espécie. Como diria o escritor gaúcho Fabrício Carpinejar, “um CRÁPULA, que define o mau-caratismo indelével, ou o CAFAJESTE, alguém que não presta nem para ser canalha, de índole egoísta e aproveitadora”.

As mulheres submissas a esses herdeiros monárquicos desenvolvem um grau de idiotice e tolice nunca antes visto pela ciência. Apesar de saberem que o cara tem uma mulher em cada porto ou cidade, mesmo assim acreditam piamente que elas é que são o amor da vida deles. Eles só não sabem disso ainda. E que quando casarem com elas mudarão como um milagre cristão, tornando vinho o que era água. O que desconhecem é que é mais fácil a água virar vinagre, daqueles bem azedos, intragáveis.

Mas há algo pior. Algumas fêmeas humanas são verdadeiramente humilhadas, achincalhadas, espezinhadas, visto que a maioria dos nobres deixa bem claro não querer nada sério com elas. Apenas passatempo para satisfação pessoal e sexual. Se a mulher adoentada aceita essa condição é sinal que a cegueira já se instalou. Algumas ainda desenvolvem certo grau de surdez (só ouvem o que lhes interessa, ou seja, elogios do sapo transformado) e, além disso, outro sintoma recorrente é o da desmemorização. A vítima só lembra-se de bons momentos ao lado de seu amado. Não se recorda das humilhações passadas, das esperas infindáveis em motéis (se o príncipe possui princesa, e, na maioria das vezes possui) que muitas vezes acabavam em solidão. Faz questão de esquecer que é a outra e tem um pensamento obsessivo-compulsivo de que se tornará a Sra. PRINCESA, destronando quem realmente tem o sangue real.

Como todo vírus que se instala, ele chega sorrateiro, normalmente as vítimas não se apercebem de que serão infectadas. Um festival de elogios, sorrisos, cantadas românticas, presentes, flores, tudo para que a doença se instale vagarosa e silenciosamente no coração da enferma. Não há medidas preventivas, muito menos vacina. Após o contágio a única esperança de salvação é que a vítima quebre a cara o quanto antes, para que possa olhar para o lado e ver quem realmente a ama e lhe trata como deve. O tratamento é doloroso e penoso para as adoentadas. Muitas vezes levam anos para se curarem. Umas morrem e vão para o túmulo, infectadas, sem terem tido a chance de se livrar dessa maldição.

Não há na literatura médico-romântica um só caso de conversão do sapo cafajeste em príncipe encantado. Mulheres cientistas estão à procura da fórmula que consiga transformar sapos em príncipes.

Além disso, nunca soube-se de um caso inverso, ou seja, um macho com a síndrome da princesa encantada. Os homens parecem ter defesas naturais contra o vírus. Talvez porque o romantismo há muito abandonou os corações masculinos. Ou talvez nunca tenha verdadeiramente se instalado. De certo e positivo, somente que não são todos os homens alvos dessas mulheres desmazeladas, alguns exemplares masculinos da raça humana ainda valorizam e sabem amar uma mulher. Mas, de que adianta? Pois ao que parece tais homens só se apaixonam por mulheres doentes.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Faxina em minhas gavetas

Meu pai sempre me disse. “Quem guarda tem.” Verdade. Aprendi isso esse final de semana. Ao me mudar, há um mês, vi o quanto havia guardado coisas. Portanto decidi que deveria fazer uma faxina em coisas e coisas que não uso mais. Comecei por separar meus livros. Descobri que não li a maioria deles. E aqueles que li, muito provavelmente não me recordo mais de seus conteúdos. Prometi a mim mesmo lê-los. Quando? Sei lá.

Passei a papéis, documentos, e coisas afins. Aí uma coisa fantástica aconteceu. Entrei numa verdadeira máquina do tempo. Folhas de cadernos do tempo da engenharia na UFRGS, administração na ULBRA, curso técnico em Passo Fundo, telefones dos colegas de segundo grau, fotos de formatura, agendas com telefones de pessoas que há tempos não vejo mais. Telefones de ex-namoradas. Gurias que não me lembrava mais, nem ao menos os nomes.

Um familiar meu disse-me que o melhor para a vida da gente ir para frente é se livrar das coisas que não usamos mais. Criar movimento, livrar-se das (in)utilidades do lar, que prendem a energia da vida. Cruzes, quanto esoterismo! Pois bem, resolvi seguir o conselho. E ao ir rasgando e jogando fora todos esses papéis me dei conta de que seria a última vez que viajaria pelo tempo. Tempo de minhas lembranças. Tempo de minhas memórias. Mas também notei que as lembranças não estão nas coisas que guardamos. Elas apenas são chaves das gavetas de nossa memória. As lembranças estão guardadas em nós.

Fui fazendo minha faxina temporal até que cheguei às fotos. Bom, aí, sei lá por que, empaquei. Não consegui destruir nenhuma. Fotos de viagens, festas, pessoas e mais pessoas. Ouvi uma vez, quando era criança, que não se rasgam fotos. Provavelmente uma maldição deve se abater sobre a pessoa que tem a coragem de destruir o registro de fatos. Ou talvez ao rasgar uma foto de pessoa estejamos rasgando sua alma. Algo nesse sentido.

É verdade que a maioria das minhas fotos é do tempo do meu casamento, ou melhor, da vivência ao lado de minha ex-mulher. Afinal foram 13 anos de convivência. A realidade é que me faltou coragem. Medo de que uma grande parte da minha vida fosse para o lixo assim como as fotos. Medo do esquecimento. Medo de perder a chave de uma gaveta de minha memória. Talvez a mais importante.

Mas ao mesmo tempo espero, com sinceridade, que minha vida ande. Espero que alguém importante apareça em minha vida e que peça, melhor exija, que me livre das fotos e de todo o mais que emperra minha vida. Talvez essa pessoa faça uma faxina em minhas gavetas. Retire o que é velho. E coloque novos papéis. Para que eu guarde. Para que eu tenha. E que dessa vez, eu não precise mais viajar no tempo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Bate e Volta

Você já ouviu a expressão bate e volta? Provavelmente já. Essa semana tive que viajar para SC num legitimo bate e volta. Fui num pé, voltei no outro como dizem. A BR 101 continua uma ma-ra-vi-lha. Você porto alegrense ao querer ir ao litoral catarinense passar o ano novo ou simplesmente passar suas merecidas férias no paraíso sulino terá que ter uma paciência budista para enfrentar o rali da 101. Desvios mal sinalizados, buracos, pista sem sinalização noturna entre outras coisas, são os fatores que fazem a aventura turística ficar mais emocionante. Pois bem, saí de noite aqui do rio grande do sul, cheguei na madruga. Até aí tudo bem. Dormi, acordei pela manhã, peguei uma praia. Estava um calor infernal. À tarde fiz o que tinha que fazer e peguei o caminho de volta. Antes, porém, fiz algo que me arrependeria profundamente horas depois.

Ao entregar uma encomenda, no centro de Balneário Camboriú, para um amigo, e por já estar estressado com o engarrafamento típico dessa época do ano xinguei um motorista que estava com problemas no carro, por estar trancando o trânsito da rua. Incrível, na mesma hora me deu um aperto no peito. Sensação de ter feito algo muito errado. Depois de conseguir fazer seu carro funcionar novamente, o motorista passou por mim e disse:

- Pô cara! Eu já to todo fudido com o carro e tu ainda vem me xingar.

Fiquei quieto não reagi. Baixei a cabeça, envergonhado, como quando um pai ralha com o filho quando esse faz algo errado. Pois bem. Aquilo passou, comecei minha viagem de retorno. Ao chegar à cidade de Palhoça o trânsito parou. Ambulâncias passavam por mim, provavelmente mais um acidente na fatídica brioi (apelido carinhoso da BR 101).
Como o tráfego estava completamente parado, desliguei o carro e fiquei esperando a liberação da estrada. Alguns motoristas desceram dos seus automóveis e ficaram na volta da estrada tentando adivinhar o que havia acontecido.

Em determinado momento um desses motoristas apontou para o pneu do meu carro e olhou para mim. Desci do carro e fui até ele, que me disse que o pneu estava murcho. Olhei o pneu e como já sabia do problema de que aquele pneu murchava com freqüência não dei muita bola. Agradeci a atenção e voltei para dentro do carro.

Engraçado, seu anjo da guarda se manifesta de várias formas e maneiras. Aquela era uma. E eu não prestei atenção no seu aviso. Depois da estrada liberada segui viagem. Quase chegando a Porto Alegre aconteceu. Pneu furado. Aliás, furado era eufemismo. Completamente esgualepado. Mortinho. Sem esperança de ressuscitação. Eram quase onze horas da noite. Já troquei muito pneu, mas à noite, com certeza é muito mais complicado.

Enquanto trocava o pneu, incrivelmente me sentia completamente resignado com a situação. Como se soubesse que esse era o meu castigo pela atitude errada horas antes. O dia passava pela minha mente e eu relembrava do motorista e seu carro quebrado. Do xingamento. Do aviso de meu anjo da guarda horas antes. E sabe o que mais? Estava rindo daquilo tudo, por entender que aprendera a lição.

Lembrei também de uma pessoa muito especial. Ela dizia que existiam tarefas exclusivamente masculinas. E com certeza, trocar pneu estava entre elas. Foi bom isso ter acontecido. Fez eu me lembrar de alguém importante em minha vida e fez-me aprender, definitivamente, que o que bate, sempre, sempre, volta.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que a Bruna diria no banheiro ou no elevador


Tenho uma amiga chamada Bruna que me cobrou que não escrevo sobre ela no meu blog. Pois então, aí vai. Esta crônica é em sua homenagem cara Bruna.

Estava eu indo almoçar com duas colegas de trabalho e antes de pegar o elevador resolvi ir mijar no banheiro. Entrei, fui direto à privada. Aquelas que ficam lado a lado, separadas por divisórias. Estava eu a aliviar minha bexiga quando de repente ouço o seguinte diálogo:

- Olá. Você por aqui? (Que pergunta é essa? Parece que você encontrou um amigo no restaurante. Onde já se viu perguntar isso num banheiro. Até parece que o seu conhecido não utiliza banheiro público).

Segurei a risada e abri mais meus ouvidos para acompanhar o diálogo.

- Calor hoje né?

- Hum hum.

- Vai vir chuva. Com certeza.

- É sempre assim.

-Bom vou indo. Até mais.

- Até.

Existem dois lugares em que o papo entre amigos ou conhecidos versará sobre o tempo. Um é o banheiro público. Outro, o elevador.

Aliás, a pior coisa que pode acontecer com você, é encontrar um amigo no banheiro público. Ainda mais se faz tempo que você não o vê. Já pensou o seu amigo estendendo a mão para cumprimentá-lo? Aquela mão que você tem a certeza que estava segurando o pinto dele há um momento atrás. Pior, ele mijou e chacoalhou, o que quer dizer que provavelmente há respingos de urina em sua mão. Mas pior ainda é se ele vem te dar um abraço, colabando ambas as mãos em suas costas e você imaginando as bactérias pulando para sua camisa. Com certeza você não vai conseguir trabalhar o restante do dia, louco para chegar em casa, arrancar suas roupas, ir para o banheiro tomar banho e esfregar e lavar suas vestes, se possível com creolina.

Já no elevador, quando você adentra no mesmo, é como se houvesse uma placa fixada no fundo com o seguinte dizer: “Favor olhar para o chão, assoviar e falar somente sobre o tempo”. É incrível o poder hipnótico do elevador sobre as pessoas. Tem gente que deve rezar para não pegar elevador com conhecidos, só para não ter que puxar papo ou ficar olhando para a cara do outro. Agora me diz, por que as pessoas se sentem constrangidas nesses dois ambientes? O banheiro é até explicável. Afinal ninguém se sente bem em demonstrar a outrem que está ali para satisfazer necessidades fisiológicas. É como se você estivesse nu, no banheiro da sua casa e, sem mais nem menos alguém irrompe através da porta e te pega de calça arriada, sentado, confortavelmente em seu trono imperial.

Mas no elevador é no mínimo estranho. Por que será que as pessoas não se sentem à vontade com outras dentro do elevador? Definitivamente, o elevador não é um ambiente sociabilizador. Talvez se houvessem banquetas, um bar e um barman servindo coquetéis dentro do elevador as pessoas se sentiriam mais a vontade. O elevador seria um ponto de encontro. Já pensou? Aquela sua vizinha gostosa tomando um dry Martini e você pedindo um uísque on the rocks enquanto inicia um flerte com a vítima...ops com a conhecida.

Bom, ao sair do banheiro encontrei minhas colegas de trabalho e enquanto íamos ao restaurante relatei o ocorrido a elas. Perguntei então o que as mulheres conversam ao irem ao banheiro? Elas, educadamente responderam que vão ao banheiro juntas para confidenciarem a respeito das pessoas que ficaram na mesa em que se encontram. Para ajudarem-se mutuamente ao conferir maquiagem, cabelo e outras cositas más, uma da outra. Já pensou dois homens indo ao banheiro juntos. Já imagino a situação.

- Viu a loira da outra mesa?

- Vi sim. Que gostosa. Está com uma microssaia. Que pernas. Imagina o que tem debaixo daquela sainha?

- Nossa, muito boa, mesmo.

E por aí vai. Aliás, assunto de homem em bar só pode ser dois. Mulher e futebol.

Mas e a minha amiga Bruna, entra aonde nessa história? Bom, deixa eu explicar. A Bruna é uma daquelas amigas, diria eu, no mínimo incomum, o que já, por si só torna nossa amizade muito interessante. A Bruna, digamos, não tem papas na língua. Isso a faz ser uma pessoa autêntica, direta e extremamente sincera. Aonde quero chegar?

Fico imaginando a Bruna no banheiro feminino. Com certeza iria tratar uma conhecida, que encontrou por acaso, como se estivesse saindo de uma sessão de cinema no sábado à tarde. Não se incomodaria de pedir um absorvente para uma estranha, e se tivesse fugido para ir ao banheiro chorar porque viu o ex com outra, pegaria a primeira mulher que encontrasse retocando o batom e faria dela uma psicóloga e conselheira amorosa.

No elevador então não teria nem graça. Puxaria papo como se estivesse no salão de beleza comentando com as outras clientes sobre a nova moda de cabelos para o verão enquanto espera sua vez de fazer as unhas.

Essa é minha amiga Bruna, espontânea, autêntica e verdadeira. Como os melhores amigos devem ser.

Viu Bruna, agora você vai pensar três vezes antes de me pedir pra falar em ti no meu blog.

domingo, 7 de dezembro de 2008

E viva o casamento!


Li uma notícia, esses dias, que me deixou preocupado. Falava sobre o crescente número de divórcios no Brasil. Segundo o IBGE houve um crescimento de 200% (isso mesmo DU-ZEN-TOS POR CEN-TO) na taxa de divórcios em 2007, em relação a 1984.

Acredito que, entre vários motivos, a vida moderna, a entrada da mulher no mercado de trabalho – quer dizer o aumento significativo disso – a facilidade em se separar, instituída pelo novo código civil e a falta de tolerância sejam os principais.

Bom, querido leitor, eu sou adepto de casamentos duradouros. Tenho um tio avô que completou 75 anos de casado. Acredita nisso? Setenta e cinco anos ao lado da mesma mulher. Pode ser comodidade, mas também demonstra um amor por alguém que dificilmente é visto nos dias de hoje. Os casais de hoje não têm paciência para discutir relacionamento. Não há diálogo. Egoísmo. Sabiam? O egoísmo, o individualismo, reinam hoje entre as pessoas. Alguém, não sei quem, inventou que a felicidade é individual, que você tem que se preocupar com você. O outro que se lixe.

Desculpa. A felicidade é um estado de espírito que depende de vários fatores. E entre eles pode estar, nas pessoas menos egoístas claro, a vida ao lado de alguém. A construção de uma família. Filhos, cachorros, a emoção de conseguir a casa própria, de juntar os salários. Passar sacrifícios juntos em prol da continuidade da espécie. Tenho certeza que, dentre outros fatores, a desestruturação da família, a família como a gente conhece, é causa do aumento da violência. Os filhos, sem a presença materna e paterna, na maioria das vezes, rebelam-se. Pais separados é moda entre os jovens. Anormal é você ter pai e mãe juntos, casados. Caretice. O grupo não aceita você ter uma família unida. É a banalização do individualismo. O homem sempre foi um ser social. Sempre viveu em grupo. E acreditem! A fidelidade , assim como nos pingüins e golfinhos, faz parte do ser humano também.

Eu sou a favor de casamento pra vida toda. Filhos, casa, férias com carro lotado. Basta ter um pouco de paciência com o outro. Carpinejar, escritor gaúcho, diz que, amar outra pessoa é amar seus defeitos.

Casamento pressupõe ceder, não se importar com a tampa da privada levantada, a calcinha esquecida na torneira do chuveiro, não brigar pelo controle remoto, acompanhar sua mulher no shopping, sem se cansar, assistir ao futebol com ele, não precisa torcer pro mesmo time. Enfim, ceder, tolerar, querer estar perto do que é importante para o outro, querer estar perto do outro. Construir um estado de felicidade individual apoiado na felicidade conjugal.

Mas parece que a humanidade moderna está mais preocupada em pensar em si própria, no indivíduo e não no grupo. Casar, hoje, mais que nunca, é um exercício de ambos. Exercício de tolerância, de paciência, de perdão, de desculpas. É, ser feliz dá trabalho, mas vale a pena. Pra quem, como eu, não desistiu de formar família só há uma coisa a dizer: VIVA O CASAMENTO!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sobre o povo brasileiro e as tragédias...

Muito interessante. Acessem e vejam do que o ser humano é capaz diante da tragédia de seus semelhantes. Recomendo a leitura desse blog do grande jornalista gaúcho David Coimbra.

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=127506&blog=219&coldir=1&topo=3951.dwt

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Aos meus leitores portugueses, chuva e sol, porto triste e Porto Alegre


Presidente Lula sobrevoa Itajaí

Incrível a internet. Descobri, através do contador do meu blog, sim, esse negocinho que fica ali no cantinho direito da página, chamado sitemeter, que tenho leitores portugueses. Já há alguns dias tenho notado a entrada de endereços portugueses. Muito me honra. Meu blog. Heheheh, começa a tornar-se mundial, assim como a grande rede mundial de computadores. Pois bem, queridos amigos portugueses, quero deixar-lhes a par de alguns fatos. Não sei se é de conhecimento de vocês, mas uma das cidades que nossos amigos e irmãos lusos ajudaram a fundar, hoje vive uma das maiores tragédias naturais que se abateu sobre o Brasil. Falo da enchente que cobriu mais de 90% da cidade açoriana de Itajaí e também causou muito estrago nas demais cidades da Santa e bela Catarina. Um dos maiores portos do país encontra-se em Itajaí.

Curiosamente e por sorte ou destino, sei lá, dois dias antes da tragédia que se abateu sobre Itajaí (cidade onde residia), mudei-me. Para outra cidade, de nome Porto Alegre, açoriana também. Hoje vivo no porto alegre, mas não consigo me desligar de um porto triste, no litoral catarinense. Se vocês leitores, aí de Portugal lerem esse post, saibam que tanto lá como aqui, agradeço aos fundadores lusos. Pois amo ambas as cidades, Porto Alegre do calor e do sol e Itajaí, hoje porto triste e da chuva. Rezo e peço que o sol que acalenta a capital do Rio Grande do Sul, abençoe também as milhares de pessoas que novamente (lembram das enchentes de 83 e 84?) terão que reconstruir suas vidas e suas moradias, com a força dos mesmos lusitanos que há mais de 500 anos aventuraram mar afora para colonizarem e fundarem os portos do sul do Brasil.

Se você leitor luso, ou brasileiro, identifica-se, assim como eu com essas cidades, reze e se puder ajude nossos conterrâneos litorâneos. Que Santa Catarina converse com sua amiga Santa Clara, para que ela interceda junto a São Pedro e que todos levem sol às cidades atingidas.

Que os portos brasileiros, de origem lusa, tornem-se somente portos alegres, para que nós gaúcho-luso-brasileiros, possamos reencontrar nossos amigos catarinense-luso-brasileiros em mais um verão que chega, de sol e calor.